Vizinhos de bares ganham a fama de chatos, mas conseguem se livrar do barulho

Campo grande News
Anny Malagolini

A casa de shows santa Fé segue sem funcionar desde maio (Foto: João Garrigó)

A casa de shows santa Fé segue sem funcionar desde maio (Foto: João Garrigó)

Brigas, noites sem dormir, telefonemas no meio da madrugada, processos e muita dor de cabeça. Os sintomas são os mesmo de dois professores de Campo Grande, que em comum tem, ou tinham. como vizinhos um bar com música ao vivo. É o outro lado da polêmica envolvendo a lei do silêncio na cidade.

O mais famoso “chato” (na visão dos empresários) é o professor universitário Mario Márcio Cabreira, de 51 anos. Ele conseguiu silenciar o vizinho, a casa de shows “Santa Fé”, na rua Brilhante. Desde 2008, os finais de semana renderam brigas, telefonemas na madrugada e pouco sossego. Foram anos de protesto, que envolveram, inclusive, centenas de e-mails à redação do Campo Grande News.

A reclamação ia muito além do som alto da casa, os ataques também eram pelo o barulho de circulação de pessoas e até mesmo o apito dos guardadores de carros.

O bairro Bandeirantes, endereço do Santa Fé, é um local residencial. Quem cresceu nas ruas sossegadas se incomodou com a aglomeração. Sujeito caseiro, como ele mesmo se define, Mario Márcio explica que buscou seus direitos como cidadão, amparado pela lei municipal Nº 2.909, que no artigo 88 proíbe perturbar o sossego e o bem estar público com ruídos, vibrações, sons excessivos ou incômodos de qualquer natureza, produzidos por qualquer forma, que contrariem os níveis máximos de intensidade.

Contra a fama de “chato”, Mario Márcio se defende: “Todo mundo tem direito de ouvir o que quiser, mas tem que respeitar o direito do outro”.

Mário Márcio ainda fica indignado com o que enfrentou no passado.

Mário Márcio ainda fica indignado com o que enfrentou no passado.

Mudar de casa nunca foi uma opção conta Cabreira, que nasceu e foi criado no mesmo endereço e ganhou a casa como herança do avô, que comprou o imóvel em 1959.

Ele é contra os imóveis serem destinados a locais de entretenimento na região, por ser residencial, mas sabe que a descentralização de bares e casas noturnas é uma realidade para a capital. “O desenvolvimento é inevitável, o homem tem domínio da tecnologia, mas o ganho não pode se sobrepor sobre a humanidade. Isso da cidade ter de ser grande, é discurso de empresário. Tem é que ser planejado”.

Com as inúmeras reclamações e ligações para a Polícia, para que intercedesse, o professor conta que se tornou motivo de piadas, mas mesmo assim, decidiu seguir em frente, com fama ou não.

Neste ano, a casa até foi reforma para evitar a reclamação por conta dos ruídos, mas não foi o suficiente para a vizinhança e em junho deste ano, o local foi colocado à venda.

O “Santa Fé” está interditado pela justiça desde o mês de maio. O advogado que representa o local não quis se pronunciar sobre o assunto.

Salas foram construídas ao lado da casa da Ângela, para diminuir os ruídos do Park's. (Foto: João Garrigó)

Salas foram construídas ao lado da casa da Ângela, para diminuir os ruídos do Park’s. (Foto: João Garrigó)

Paredão – Em outro ponto da cidade, em área nobre, a também professora, Ângela Costa, de 60 anos, virou daquelas vizinhas  que não largam o osso. Passou anos enfrentando o que chama de desordem sonora no vizinho do lado direito, o “Park’s Burger”, um dos mais tradicionais de Campo Grande.

A música ao vivo, de segunda a segunda, começou a incomodar Ângela desde que o bar se instalou na rua Itacurú, 140, do bairro Itanhangá, em 1992. Apesar do som ser sempre na toada da MPB, mais tranquilo, nada confortava a vizinha.

Até o filho tocava percussão alguns dias da semana, mas nada das pazes florescerem no Itanhangá. Foram anos arrastados, marcados por acordos informais.“Eu estava em um estado de nervos e até me mudei de casa. Depois voltei ao antigo endereço, mas o incomodo persistiu”, conta.

O tal “acordo pacífico”, proposto pelo proprietário do bar, durou pouco. Ele pediu à Ângela que ligasse, sempre que o som estivesse a incomodando, para que o volume fosse diminuído. Mas o trato não vingou. “Até ir ao bar no meio da madrugada eu fui um dia, para tentar acabar com o barulho”.

Após o episódio, ela conta que finalmente procurou a Justiça. Depois de um ano de espera e audiências, o bar entrou em reforma, no ápice da “contrariedade”. O próprio empresário resolveu investir para acabar com a dor de cabeça. Construiu, inclusive, uma grande estrutura, com salas, na tentativa de isolar a vizinha. Parece que deu certo, e acabou o entreveiro.

Hoje, a professora comenta que raramente liga no bar e que até voltou a frequentar algumas vezes, não mais como reclamante, mas como cliente. “Só queria que diminuísse, não é show, tem que ser um som para poder conversar, e isso não acontecia”.

Agora, Ângela resolveu reclamar dos vizinhos da frente e já mexe os pauzinhos contra o que chama de “jogatina” em um imóvel na mesma rua.

O proprietário do Park’s não quis comentar o assunto.

Fonte (original):  Campo Grande News
Autora: Anny Malagolini
Pub. em 16/08/2013
Link para o original: Click Here

1,054 total views, 1 views today

Esta entrada foi publicada em Bares, barulho, boates, Notícias (Clipping), Orientações, Perturbações Sonoras, Prefeitura, Psiu, Shows e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta