Mamãe Neura: Minha maior tara

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Se você pensa que só adultos são prejudicados com o barulho, não se engane. Veja o que a colunista Tati Bernardi, da Folha de S. Paulo, comenta sobre o assunto:

Mamãe Neura: Minha maior tara (Tati Bernardi – 1º/07/2018)

Sim, esta é uma coluna sobre maternidade. Então por que essa doida está falando de tara no título? Justamente porque contarei a vocês a minha maior fantasia do momento. Meu fetiche supremo. Minha depravação por excelência. Minha perversão número um. Aqui vai: gostaria de enfiar uma jaca na goela das pessoas que falam alto quando minha bebê está dormindo.

Amaria quebrar doze ovos podres na cabeça de cada um dos estudantes festivos da PUC, que berram e buzinam e gargalham e estilhaçam garrafas de cerveja bem embaixo da janela do quarto onde, maravilhosa e em fase de crescimento, minha nenê tenta fazer sua naninha. Adoraria pegar as cornetas e trombetas e vuvuzelas que ousam perturbar o arborizado bairro de Perdizes e encaixá-las na cavidade anal de seus proprietários. Quanto maiores fossem (os instrumentos de sopro), maior seria meu júbilo.

Meu sonho é que os desalmados da madrugada, que aceleram suas motos e assustam minha pequerrucha, tenham muitos filhos. Uma quantidade suficiente para que troquem sua juventude tardia por um carro-coxa-sedan com adesivo de família.

Motoristas que buzinam à toa e o tempo todo, que ignoram a existência de bebezinhos fazendo a soneca da tarde e saem pelo mundo descarregando toda a tensão no trânsito, posso me imaginar com uma marreta em cima de seus carros, descabelada, talvez um seio de fora, gritando: “Minha filha estava dormindooooo!”. Se sobrassem ovos podres, aqui também eles caberiam muito bem.

Ensaios de bateria de Carnaval, batidões, alto-falantes, carros de som, caixas de som, gente que anda de salto em casa, que fala alto esperando o elevador, que bate portas… Uma quimera: eu pessoalmente deportando todos esses humanos para Marte. Chega! Quero fazer uma passeata inaudível reivindicando um mundo que só se expresse através de sons do útero e da cantiga “O que que tem na sopa do neném”.

Muitas mães reclamam que a vida sexual demora a ser retomada após dar à luz. Se perguntam onde foi parar a libido que antes ostentavam. Calma, não estamos sem desejo. É que nosso tesão está totalmente voltado a exterminar qualquer barulho que acorde nossos pequeninos.

Fonte (original): Revista Folha de S. Paulo (especial de férias) – p. 10
Data: 1º a 7 de julho de 2018
Autor: Tati Bernardi
Link para o original: Clique aqui

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