Moradora denuncia barulho excessivo em novo point do Setor Marista

Goiânia Edição 2167

23/01/2017 16h43 Por Marcelo Gouveia

Vizinha ao “Deu Praia” fala sobre incômodos causados pelo empreendimento, até mesmo ambientais, e relata que chegou a ser agredida por seguranças no local

Divulgação/Instagram

Helena D. L. é moradora do Setor Marista, região nobre da capital, e usou suas redes sociais no último domingo (22/1) para denunciar o barulho excessivo causado pelo “Deu Praia”, novo empreendimento da capital que promove shows, entre outros eventos, aos finais de semana.

Em entrevista ao Jornal Opção, a jovem conta que a casa abriu as portas em dezembro e vem causando, desde então, diversos incômodos à vizinhança, sobretudo por conta do “volume estupidamente alto da música”. “Desde que o grandioso empreendimento começou a funcionar, o som ensurdecedor das festinhas feitas veio atrapalhando o bem-estar da minha família a partir das – aproximadamente – 7 horas todos os fins de semana”, conta.

Ela relata, ainda, que, após inúmeras reclamações e até uma reunião de moradores, os organizadores do evento chegaram a oferecer diárias em hotel nos dias de festa, o que foi prontamente recusado. A jovem cita também possíveis danos ambientais causados pela nova casa devido a existência de nascentes na região. “Um tremor pode indicar compactação do solo e consequências sanitárias, problemas para a solo…”, explicou.

Para tentar resolver a situação, Helena disse que procurou a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), mas não teve sucesso. A situação calamitosa, relata a jovem, fez com que ela fosse pessoalmente até o local na noite do último domingo (22), quando alega ter sido agredida pela equipe de seguranças.

Segundo ela, ao chegar na porta do evento, os reponsáveis pela segurança impediu sua entrada e ela, então, solicitou a presença dos organizadores. “Dois homens apareceram e disseram que os incomodados que se retirassem e que eu já sabia que a festa teria fim à meia-noite. Eles viraram de costas e eu fui atrás, quando os seguranças prenderam minhas mãos para trás”, conta à reportagem, lembrando das marcas deixadas pela abordagem violenta.

Sem sucesso com a Amma, ela diz que a Polícia Militar também não pôde resolver o problema. Helena também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) por conta dos carros estacionados nas calçadas das casas e condomínios na região próxima ao local, mas foi informada que a pasta não possuía viaturas ou guinchos o suficiente para atender a demanda.

“Agora, pretendo fazer um baixo-assinado e procurar o Ministério Público. Moradores de até cinco quadras distantes vieram falar comigo incomodados com a situação”, adiantou.

Repostas

Em entrevista ao Jornal Opção, João Carlos, um dos responsáveis pela casa, disse que possui as licenças ambientais e alvará de funcionamento, negou qualquer agressão cometida pela equipe de seguranças, e garantiu que tem tentado ser “parceiro” da vizinhança. Ressalva, todavia, que Helena tem sido extremamente grosseira, diferentemente de outros moradores da região.

“Eu estava, inclusive, presente no momento em que ela tentou forçar a entrada no local. Chegou alterada, extremamente grosseira, e sua entrada foi barrada pelos seguranças. Em nenhum momento houve agressão física ou verbal”, garantiu.

Sobre as reclamações quanto ao volume do som durante os eventos realizados nos fins de semana, João Carlos diz tratar de especulação, uma vez que, segundo ele, não é possível medir o barulho gerado “apenas no ouvidômetro”. Em resposta ao organizador, Helena lembra que já tentou chamar a Amma para realizar a medição, mas foi ignorada.

Procurada pela reportagem, por sua vez, a agência municipal informou que, devido ao período de transição da nova gestão, ainda não mantém assessoria de imprensa e não soube indicar o setor responsável para a atender à demanda. O setor de comunicação da prefeitura também não nos respondeu até a publicação desta matéria.

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Comentários

 

 

Helena Di Lorenza

no domingo

Hoje, por volta das 21 horas cheguei em casa e me deparei com a nova patifaria planejada pelos organizadores do Deu Praia.
Não é de hoje que temos recorrentes reclamações do espaço que foi inaugurado no início de dezembro, se não me engano, com a proposta de trazer ao bairro atividades de lazer que remetem à praia (cômico). Ainda quando o espaço começou a ser feito, liguei na Amma Goiânia pra reclamar do intenso tremor de terra que me soou bem perigoso, já que aqui na região… existem inúmeras nascentes e um tremor pode indicar compactação do solo e consequências sanitárias, problemas para a solo etc etc. Nada aconteceu.
Desde que o grandioso empreendimento começou a funcionar, o som ensurdecedor das festinhas feitas veio atrapalhando o bem-estar da minha família a partir das – aproximadamente – 7 horas todos os fins de semana.
Fomos convidados pelos donos a uma reunião de moradores a qual eu mesma fiz questão de comparecer e, acreditem, nos ofereceram uma diária num hotel para que a festinha deles continuasse a acontecer.. vejam bem, minha família mora no setor marista há mais ou menos 40 anos, desde que o bairro era extremamente desvalorizado, e mesmo apesar de se tratar de um setor considerado perigoso devido à ocupação de ciganos na região, falta de asfalto e o areião ser um matagal sem fim na época, minha vó criou os filhos e a mim com muita tranquilidade por aqui e O DIGNÍSSIMO QUERIA QUE EU E MINHA AVÓ DE 70 ANOS NOS RETIRÁSSEMOS DA NOSSA CASA.
Hoje, tragicamente, resolvi apelar depois de dias e mais dias pedindo e solicitando educadamente para que o som fosse abaixado, já que o tremor das janelas no meu quarto não me possibilitavam o sono. Liguei na Amma Goiânia mais ou menos umas 5 vezes hoje e ninguém atendeu. Liguei na polícia e o cabo me informou que não podia fazer nada (não me surpreendi) e me aconselhou a ligar para a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade – SMT para solicitar que os carros estacionados na calçada fossem guinchados. Não tinham nem guinchos nem viaturas disponíveis na SMT. Até agora nada que não fuja do corriqueiro desses órgãos tão bem mantidos pelo estado.
O problema mesmo (e se não fosse este não teria optado por me expor nas redes sociais) foi quando resolvi, INGENUAMENTE, solicitar com toda a educação do mundo para que o som pelo menos atendesse às leis ambientais.
Um dos organizadores foi extremamente grosso comigo, me agrediu moralmente me convidando a me retirar da rua da minha própria casa : “se você está incomodada, você que se retire” e logo em seguida disse “mas você já sabe que aqui termina meia noite, porque você está reclamando?” olha, não sou expert em leis ambientais etc e tal, mas sei, pelo menos, que depois das 10 horas da noite não há som alto que possa existir.. depois perguntou o meu nome e eu preferi não me identificar e me deu as costas, assim que fui atrás dele pra tentar continuar dialogando mandou que os seguranças me segurassem me agredindo fisicamente. Liguei pra polícia novamente e novamente tive a resposta “NÃO PODEMOS FAZER NADA É UM GRANDE EMPREENDIMENTO, porque você não vai no IML amanhã e faz um exame de corpo de delito?”.

A sensação de impotência é, sem dúvida, uma das piores coisas que existem, mas ainda me resta a possibilidade de denunciar a extrema falta de respeito do Deu Praia antes de ir ao ministério público.

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