Mulher baleada por policial que se irritou com festa morre no hospital

 

Fonte (original): http://paranaportal.uol.com.br/policial/mulher-baleada-por-policial-que-se-irritou-com-festa-morre-no-hospital/

Publicado: 1, janeiro 2017 ás 18:10

Postado por: Narley Resende

Mulher baleada por policial

A copeira que foi baleada por uma policial civil durante uma festa de confraternização no Bairro São Francisco, em Curitiba, morreu no Hospital Cajuru no início da tarde deste domingo (1º). Ela estava internada desde o dia 23 de dezembro – dia em que o crime ocorreu.

Rosária Miranda, de 50 anos, participava de uma confraternização da empresa em que trabalhava quando foi atingida por um tiro disparado por uma vizinha da cafeteria onde a festa ocorria. Ela teve perda de massa encefálica e estava internada em estado gravíssimo na UTI.

Um dia depois do crime, a policial civil que deu quatro tiros em direção à festa se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa como autora dos disparos. Ela teria se irritado com o barulho e alega que atirou contra o chão.

A investigadora do Nucria – que não teve o nome divulgado pela Polícia – deve responder em liberdade por homicídio.

Na semana passada o delegado-geral da Polícia Civil, Julio César dos Reis, disse em nota que a atitude da policial é inadmissível.

Para garantir que as investigações contra a policial não fossem prejudicadas, Reis determinou que ela fosse removida para o grupo de recursos humanos.

Segundo a Polícia Civil, ela deve exercer apenas funções internas e administrativas, sem prejuízo de outras medidas a serem realizadas pelo presidente do Inquérito Policial e ainda pelo corregedor-geral que pode decidir pelo afastamento.

A direção da Polícia enfatizou na nota que “qualquer ato em desconformidade com as regras de conduta contidas nas leis e no estatuto da Polícia Civil será rigorosamente apurado”.

Crime

Segundo um dos funcionários da lanchonete que cedeu espaço para a empresa que realizava a festa, a policial disparou quatro tiros. “Primeiro ela veio aqui na frente do portão, falou para baixar o som. Desligaram o som, a moça que levou o tiro estava com a sacola na mão cumprimentando as pessoas para ir embora na hora que levou o tiro. As imagens mostram que o som foi desligado. O pessoal disse pra ela (policial) que a festa estava acabando”, conta.

Após a perícia, e relatos de testemunhas que constataram a trajetória da bala, a investigadora foi identificada, mas não estava em casa quando a polícia foi até elá na sexta.

De acordo com o delegado Fabio Amaro, a policial alegou que ficou irritada com o barulho da festa de confraternização na lanchonete, que fica na Rua Mateus Leme, 2366.

A investigadora disse que antes de atirar jogou “bombinhas” para assustar os membros da festa e acabar com o barulho. Sem sucesso, ela teria decidido disparar tiros a esmo e que acertou a cabeça da copeira por acidente.

“Ela reside em uma casa, próxima ao local onde acontecia a confraternização. Segundo seu relatório, no termo de interrogatório, ela alegou que a festa se iniciou por volta das 19h. Já era por volta de meia-noite e meia, uma hora, e o barulho não cessava. Em razão disso, ela teria anteriormente atirado algumas bombas, bombinhas de fogos de artifício, para que o pessoal ficasse mais tranquilo, diminuísse a entonação se voz”, relata o delegado.

Estacionamento onde acontecia a festa

Estacionamento onde acontecia a festa, no Centro Cívico.

O funcionário que pediu para não ser identificado afirma que a versão não é verdadeira.

“Eu vi nas câmeras. O tiro que veio pega de cheio na cabeça da guria. É mentira dela (da policial) que disse que a bala recocheteou. Ela atirou em cheio. Ela sumiu três dias, pra fugir do flagrante. Tem as marcas de bala aqui. Ela deu dois tiros para cima e dois em direção do povo”, garante.

A janela da casa da policial fica a 70 metros de onde estava a copeira.

De acordo com o delegado, uma árvore impede a visualização de um ambiente para outro. A policial disse que usou a arma para atirar no chão, mas o tiro recocheteou e acertou a vítima.

“Por fim, totalmente transtornada, ela acabou realizando esse gesto impensado ao qual se utilizou da pistola da instituição, colocou a mão, segundo o que ela diz, na janela da casa e, sem olhar, efetuou um disparo para o chão, que segundo diz, recocheteou no muro e acabou atingindo a vítima”, conta.

Rosária foi atendida pelo Siate. A Polícia Civil só foi acionada quando a vítima já estava internada no hospital.

Indiciamento

A policial foi indiciada e a arma apreendida e encaminhada à perícia. Uma investigação também também deve ocorrer na Corregedoria da Polícia Civil. A investigadora foi suspensa da atividade de campo e deve exercer funções administrativas até a conclusão do processo.

O delegado afirma que não prendeu a policial por estar seguindo a lei.

“É certo que a gente não espera uma conduta desse talante de um policial que é pago para servir e proteger, que tem que ter total controle de seus atos. Entretanto, é custoso falar que também nós estamos engessados pela lei. O código de processo penal é bem claro em indicar que uma pessoa pode ser presa somente em situação de flagrante delito ou então por mandado judicial”, afirma.

Fabio Amaro confirma que a atitude da policial pode ter sido uma manobra para escapar da prisão imediata. “É comum das pessoas que se envolvem em crimes, contra a vida principalmente, se antecipar à conduta da autoridade e apresentar-se espontaneamente na delegacia, uma vez que essa apresentação espontânea supre essa necessidade do pedido de prisão”.

De acordo com o delegado, não há previsão para um pedido de prisão contra a policial.

As imagens das câmeras de segurança da lanchonete foram encaminhadas à polícia. A reportagem não conseguiu contato com o advogado da investigadora.

514 total views, 6 views today

Esta entrada foi publicada em Aspectos Penais, Notícias (Clipping). Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta