Aeroporto: O bairro marcado pelo barulho das turbinas das aeronaves

Fonte (original): http://www.opovo.com.br/app/colunas/opovonosbairros/2013/07/04/noticiasopovonosbairros,3085968/aeroporto-o-bairro-marcado-pelo-barulho-das-turbinas-das-aeronaves.shtml

o povo nos bairros 04/07/2013

TATIANA FORTES/ESPECIAL PARA O POVO

Equipamentos ligados ao aeroporto, como a Torre de Controle, marcam a paisagem do bairro

De instante em instante, o som das turbinas toma conta do bairro. É esse o preço pago quando se tem como vizinho o Aeroporto Internacional Pinto Martins. Porém, os moradores dizem que o tempo faz com que os ouvidos se acostumem aos ruídos. “Nem menino novo se acorda mais”, brinca o pintor Francisco Rodrigues, 63, que mora no bairro há mais de duas décadas.

O bairro Aeroporto é o maior entre os que compõem a Secretaria Executiva Regional (SER) IV, com 7,2 km². Paradoxalmente, é o que tem menos moradores. O que é perfeitamente explicável. Quase todo o território é ocupado pelo Aeroporto Pinto Martins e pela Base Aérea de Fortaleza. As residências ficam espremidas entre a avenida Lauro Vieira Chaves e o muro que delimita as pistas de pouso – nas proximidades do antigo aeroporto.

Nas casas com piso superior, é possível ver toda a movimentação de aeronaves na pista. A proximidade rendeu até cenas inusitadas. A dona de casa Maria Laurizita Freitas, 52, conta que, antes, as aeronaves em procedimento de pouso manobravam próximas à residência dela. O vento forte das turbinas ia direto para as residências. “Teve um dia que levantou um bocado de telha”, lembra. Já o garçom Daniel Marcelo, 21, conta que, às vezes, os passageiros dão até tchau para os moradores pelas janelas das aeronaves.

A moradora Viviane Rodrigues, 36, diz que antes a região era “só mato”. Aos poucos, os moradores foram chegando e ficam cada vez mais próximos ao aeroporto. O que explicaria a falta de planejamento é que o bairro é formado, majoritariamente, por vielas que se estreitam e alargam a partir da localização das casas e calçadas (quando existem).

O aeroporto

A história do Aeroporto Pinto Martins começa na década de 1930, quando foi construída a pista do “Alto da Balança” (hoje Base Aérea). Durante a 2ª Guerra Mundial, Fortaleza servia de apoio para as aeronaves norte-americanas. Com isso, duas novas bases foram construídas: a do Pici (1942) e a do Cocorote (1943). Segundo o livro “Cronologia Ilustrada de Fortaleza”, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez), o local abrigava o “antigo sítio Cocorote”.

Em maio de 1951, o aeroporto passa a se chamar, oficialmente, Salgado Filho. Três meses depois, foi publicado o editorial do O POVO com o título: “Aproximemos o Cocorote”. O texto defendia a construção de um novo aeroporto para aviação civil em Fortaleza, localizado mais próximo ao Centro.

O editorial explicava que “o nosso aeroporto é uma base militar. Na sua construção (…) os engenheiros norte-americanos escolheram o lado sul do campo para as edificações ali existentes, tendo em vista que quanto mais distantes da cidade, menos comprometida ficaria a zona residencial em caso de ataque aéreo”.

Em 1953, o aeroporto muda novamente de nome, passando a se chamar Pinto Martins. Trata-se de uma homenagem ao piloto cearense Euclydes Pinto Martins (1892-1924), natural de Camocim. Ele participou do primeiro voo entre Nova York (EUA) e Rio de Janeiro (RJ), de setembro de 1922 a fevereiro de 1923, a bordo de um hidroavião.

Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutra Aeroportuária (Infraero), o primeiro terminal de passageiros foi construído em 1966. Hoje, o local é conhecido como “aeroporto velho”. Em 1998, foi inaugurado um novo terminal, no lado oposto da pista e, até hoje, utilizado como aeroporto internacional, com capacidade para transportar 6,2 milhões de passageiros/ano. 

 

GEIMISON MAIA é repórter do Núcleo Cotidiano

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