O DIA ONLINE – OPINIÃO – Leda Nagle: Haja paciência

http://odia.terra.com.br/portal/opiniao/html/2011/6/leda_nagle_haja_paciencia_171814.html
h05 Leda Nagle: Haja paciência Rio -Acordei com vontade de reclamar. Na verdade, precisando reclamar. Como é que alguém pode viver ou conviver com o barulho ensurdecedor das gigantescas máquinas das obras do metrô sem enlouquecer? Quem consegue manter o humor e a saúde com o barulho contínuo que começa às dez pra oito da manhã e termina quase à uma da madrugada? Alguém aí sabe como é que eu (e todos os moradores da minha rua e do meu São Conrado) podemos conseguir medir o volume dos decibéis a que estamos submetidos dia e noite? Eu também quero o metrô, também acho que ele é fundamental para ajudar a solucionar os problemas do deficiente transporte coletivo da nossa cidade. Mas tem que ser assim, a qualquer preço? Uma empresa ganha a concorrência para realizar uma obra e se torna soberana para fazer o que bem entender? Quem defende o cidadão? E a minha qualidade de vida? Quem responde por ela e pela minha lucidez? Estão cortando o morro, destruindo uma vegetação linda, ensurdecendo gerações e fica por isto mesmo? Eu sei que vou receber um e-mail de um desavisado dizendo que existem vidros acústicos, que diminuem e muito o barulho das obras. Também sei disto. Fiz o orçamento. Sabe quanto custa? Em torno de R$ 18 mil. Sabe quanto custa um carro zero, tipo popular? Em torno de R$ 23 mil. Se for possível pro desavisado, tudo bem. Mas pra mim não é, portanto só me resta reclamar. E já que comecei vamos lá: a pessoa dorme mal, toma café, banho, se veste ao som das malditas máquinas. Aí vai para o trabalho, caindo de buraco em buraco, aos solavancos, entre um engarrafamento e outro para chegar ao trabalho. Isto se não encontrar outro canteiro de obras pelo caminho, onde outra empresa soberana, dona da licitação, não fechar a rua para descarregar caminhões, tirar entulhos ou equivalente, como acontece no Centro, mais precisamente na Rua da Relação, na Rua do Senado e, certamente, em outras tantas. Ah sim, é o progresso, a modernidade, estão construindo mais um edifício inteligente. Também sei que só engarrafa quem está de carro, van ou de ônibus. Quem está caminhando tropeça nas velhas e soltas pedras portuguesas que já foram calçada e, hoje, circundam enormes buracos, disputando, sem cerimônia,espaço com as raízes de velhas árvores. Isto tudo sem falar nos bueiros que se não explodem, transbordam. Ainda bem que você anda com suas próprias pernas, porque se for cadeirante, então, sem chance. Já reparou que não existem rampas? Já reparou na altura do meio-fio? Haja paciência! Ainda bem que avisei que ia reclamar. Leda Nagle é jornalista, escritora e apresenta na TV o ‘Sem Censura’ | E-mail: comcerteza@odianet.com.

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